Fascite Plantar: O que é?
A Fascite Plantar é uma condição de saúde bastante dolorosa que ocorre numa banda espessa de tecido, internamente na planta do pé, e que pode ser difícil de debelar, se mal avaliada e acompanhada.
Desde logo devemos desmistificar o sufixo “ite”, uma vez que, verdadeiramente, é pouco frequente existir inflamação quer na fáscia em si, quer na sua inserção, onde quase sempre ocorre dor. Na realidade os sintomas provêm sim – mas não só – do excessivo e repetitivo estiramento e, eventualmente, rotura de fibras de colagénio que compõem a fáscia e/ou do espessamento da inserção fascial que se torna mais rígida e incapaz de distribuir as cargas de forma equilibrada.
Fascite Plantar: Causas
Não existe uma causa ou um conjunto de causas ou características que indiscutivelmente possam justificar o surgimento de uma Fasciopatia Plantar. A marcha humana, em corrida ou não, tem uma biomecânica única de pessoa para pessoa e é influenciada por diversos fatores anatómicos, fisiológicos e mesmo psicológicos.
A prova disto é que, apesar de ser comum associar-se uma arcada plantar longitudinal abatida ao surgimento da fascite plantar, esta ocorre também em pés com arcadas longitudinais normais e altas. Isto leva-nos a concluir que é na forma como as diferentes características da marcha de cada um se relacionam que está a chave para a resolução ou minoração deste problema.
De qualquer forma, determinadas características endógenas e exógenas da pessoa podem predispor e/ou prolongar a Fascite Plantar. Estas guiam também o raciocínio clínico do fisioterapeuta durante a sua avaliação e algumas são:
- Quantidade de tempo de pé no dia a dia;
- Alterações na intensidade do treino e provas;
- Tipo de piso em que corre;
- Características técnicas do calçado e palmilhas (e há quanto tempo estão em uso);
- Historial de lesões na coluna, cintura pélvica e membros inferiores;
- Valgismo ou varismo do joelho (“joelhos para dentro” ou “pernas arqueadas”, respetivamente);
- Pronação excessiva do pé parado e em movimento (pronação da articulação subastragalina e/ou complexo articular de Chopart);
- Abatimento do arco plantar longitudinal;
- Força muscular da musculatura intrínseca do pé;
- Força e controlo muscular do Tricípite Sural (“gémeos”) e Tibial Posterior;
- Amplitude de movimento dos dedos (articulações metatarso-falângicas);
- Comprimento muscular de vários músculos do membro inferior;
- Cinemática da passada.
Quer seja corredor ou um “atleta do dia a dia” não trate o problema pela metade nem o deixe arrastar, assumindo que passa.